O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), declarou nesta terça-feira (06/05/2026) que a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi uma manobra política para atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Wagner revelou que sua relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ficou "muito estremecida" após a votação.
Em entrevista ao Bahia Notícias, durante viagem à China, o senador lamentou que a sabatina de Messias tenha se desviado da análise de suas qualificações para o cargo e se tornado um confronto político. "Infelizmente as pessoas não estavam a fim de saber se ele estava preparado ou não, estavam a fim de dar uma cacetada no presidente e usaram o Jorge Messias", afirmou Wagner.
Jorge Messias, que é advogado-geral da União e um dos mais próximos auxiliares de Lula, teve sua indicação barrada pelo Senado após meses de desgaste. A derrota foi vista no Planalto como uma demonstração de força de Alcolumbre, gerando uma crise entre o governo e a cúpula do Senado.
Wagner, que esperava a aprovação de Messias, acusou parlamentares de agirem secretamente contra a indicação. "Eu nunca tinha feito uma conta com os nossos assessores de menos de 41 votos. Infelizmente muita gente sorrateiramente trabalhou debaixo do pano, a gente não se deu conta, não percebeu", disse.
O senador defendeu Messias, descrevendo-o como um "ser humano maravilhoso" e alvo de "ódio" político. As declarações surgem em meio a esforços do governo para restabelecer o diálogo com Alcolumbre. O ministro da Defesa, José Múcio, reuniu-se com Alcolumbre nesta terça-feira para tentar amenizar a crise. Múcio sugeriu que o governo aguarde a poeira baixar antes de apresentar uma nova indicação ao STF.
Wagner confirmou o desgaste com Alcolumbre e o associou à preferência do senador do União Brasil pelo nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no Supremo. "Minha relação ficou muito estremecida com o presidente do Senado porque ele queria o Pacheco e, como sou líder do governo, ele acha que eu tinha que arrancar isso do presidente", explicou.
Segundo Wagner, havia uma "torcida" por Pacheco e senadores culparam o líder do governo pela decisão de Lula de manter Messias como candidato. "As pessoas acham que eu mando na cabeça dele. Ele escolheu o Jorge Messias e eu fui trabalhar pela sua aprovação", ressaltou.
O senador criticou o uso político da sabatina e previu que o episódio poderá gerar arrependimento entre os parlamentares. Aliados de Lula, nos bastidores, apontam Alcolumbre como peça chave na articulação que levou à rejeição de Messias, acusando-o de pedir votos contrários em partidos como MDB, PSD, União Brasil e PP. Alcolumbre nega publicamente ter protagonizado o episódio, mas o Planalto avalia que a derrota de Messias não teria ocorrido sem seu apoio ou incentivo.
Fonte: O Globo