O Banco Central interveio no mercado de câmbio nesta quarta-feira com a primeira compra de dólar futuro em uma década. A operação, no valor de US$ 500 milhões, visa reduzir o estoque de swaps cambiais e conter a valorização acentuada do real. Analistas preveem novas atuações da autoridade monetária, que busca aproveitar a força da moeda brasileira, a mais valorizada entre as principais divisas no ano, com alta de cerca de 11%.
A valorização do real é impulsionada pelos juros altos no Brasil, preocupações com a inflação global devido à guerra no Irã, a consequente realocação de investimentos e captações externas do Tesouro. O dólar fechou o dia cotado a R$ 4,92 após atingir a mínima de R$ 4,88.
Especialistas veem a estratégia como eficaz para absorver o excesso de dólares no mercado. O Banco Central tem reduzido seu estoque de swaps, que atualmente soma US$ 95,75 bilhões, por meio de operações como a venda de dólares à vista das reservas internacionais combinada à compra de dólar futuro. A autoridade também permitiu o vencimento de swaps tradicionais e de linhas de venda de dólar à vista com recompra.
A última vez que o BC realizou compras de dólar futuro em larga escala foi em 2016, sob a gestão de Ilan Goldfajn, estratégia interrompida após a eleição de Donald Trump nos EUA. Analistas acreditam que, assim como naquele período, as intervenções podem se estender. O volume pode não ser expressivo, mas a sinalização de que o BC está ativo para reduzir sua posição em derivativos é vista como importante para o mercado.
A expectativa é que o Banco Central continue a intervir sempre que o real apresentar forte valorização frente a outras moedas emergentes, embora de forma graduada, sem promover oscilações bruscas no câmbio.