O Banco Central realizou nesta quarta-feira (6) a primeira compra de dólar futuro em dez anos. A operação, vista pelo mercado como uma forma de reduzir o estoque de contratos de swap cambiais, é uma resposta à forte valorização do real frente à moeda americana.
Analistas avaliam que a intervenção sinaliza que a autoridade monetária pode intensificar suas atuações no câmbio. O real acumula alta de cerca de 11% em 2026, impulsionado por juros altos, preocupações com a inflação global e captações externas.
A compra de dólar futuro, no valor de US$ 500 milhões, visa absorver o excesso de dólares no mercado e reduzir a exposição do BC a derivativos cambiais. O estoque atual de swaps é de US$ 95,75 bilhões, mas vem diminuindo desde o início da gestão de Nilton David na diretoria de Política Monetária.
Especialistas como Olga Yangol, do Crédit Agricole, e Alejandro Cuadrado, do BBVA, veem a estratégia como acertada para gerenciar a volatilidade da moeda e aproveitar a força do real. Daniel Manso, da Warren Rena, e Daniel Balaban, da XP, também preveem maior atividade do BC.
A última vez que o Banco Central comprou dólar futuro foi em 2016, durante a gestão de Ilan Goldfajn. A operação foi interrompida após a eleição de Donald Trump nos EUA.