O deputado Ivan Valente (PSOL) fez seu último discurso na Câmara dos Deputados em 19 de março, anunciando o fim de sua carreira parlamentar após oito mandatos. Conhecido por seu tom combativo, Valente criticou a "mediocridade" do Congresso e a atuação de políticos como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Aos 79 anos, ele atribuiu a decisão à idade e à necessidade de renovação política, citando a virtude de saber parar.
Valente, que se submeteu a um transplante de rim em 2023, doado por sua esposa Vera Lúcia, tem um histórico de luta contra a ditadura militar. Perseguido e torturado, militou no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP) e foi preso em 1977. Após a Anistia, ajudou a fundar o PT e, posteriormente, o PSOL.
O parlamentar demonstrou desânimo com o atual cenário político, lamentando a queda do nível de debate e o que considera "extermismo" e "tosquice" de alguns deputados. Ele também criticou a recente derrubada do veto ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro e aliados, chamando o ato de "escárnio" e "tentativa de golpe".
Diante da conjuntura, Valente defende que o governo Lula adote um "giro à esquerda", priorizando pautas dos trabalhadores e mobilizando a militância. "A gente precisa perder o pudor de fazer o enfrentamento", declarou.
Após ser indenizado em R$ 332 mil pela Comissão de Anistia por perseguições durante a ditadura, Valente reafirmou seu compromisso com a política, prometendo continuar ativo nas redes sociais e em atos públicos. "Posso ficar na retaguarda, mas não vou deixar de fazer política", garantiu.
Fonte: O Globo