O senador Renan Calheiros (MDB) negou nesta quinta-feira (30) ter traído o governo Lula e votado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração veio após especulações de que parlamentares do MDB e do PP teriam votado pela rejeição do Advogado-Geral da União (AGU).
"São improcedentes as ilações sobre o MDB e mentirosas as especulações sobre o meu voto, dos senadores Renan Filho e Eduardo Braga. Trabalhamos e votamos em Jorge Messias. Derrotas devem ensinar e não gerar efeitos lisérgicos vindos do cavalo de Tróia dentro do governo", afirmou Calheiros em nota.
Messias teve 34 votos a favor e 42 contrários na votação de quarta-feira (29), não atingindo o mínimo de 41 votos necessários para aprovação.
Informações de bastidores apontam que a proximidade de nomes da bancada do MDB com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, que também almejava uma vaga no STF, teria influenciado o resultado. Auxiliares de Lula atribuem a derrota a uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), contra Messias.
Segundo senadores que pediram anonimato, Alcolumbre teria buscado parlamentares do centro, da oposição e indecisos para estimular o voto contrário ao AGU. A assessoria de Alcolumbre negou a participação do senador no movimento.
Indicado por Lula há mais de cinco meses, Messias enfrentou resistências, especialmente da cúpula do Senado. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele obteve 16 votos, em uma sabatina marcada pela apreensão governista.