Brasília – Acionistas do Banco do Brasil aprovaram nesta sexta-feira (29) a elevação do limite de capital autorizado da instituição para R$ 150 bilhões. A medida visa fortalecer a capacidade do banco de absorver possíveis perdas em um cenário de crescente inadimplência e aumento do custo do crédito, conforme apurou o 'Novo Diário do Povo'.
Embora o banco não pretenda emitir novas ações no momento, a ampliação do teto de capital é vista como uma ação prudente para garantir flexibilidade financeira. O capital social atual do BB é de R$ 120 bilhões, próximo do limite anterior.
A instituição já vinha adotando outras estratégias para reforçar seu capital, como a redução da distribuição de dividendos. Medidas de aperto nas condições de crédito, incluindo restrições no crédito rural, também foram implementadas, ajudando a estabilizar o desempenho financeiro e a reduzir a urgência de uma injeção externa de capital.
A expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado também contribuiu para a melhora nos resultados. O Banco do Brasil busca consolidar sua posição neste segmento, visando uma participação de mercado de pelo menos 20%.
A inadimplência, especialmente no setor do agronegócio, que representa mais de 50% da carteira do BB, atingiu níveis recordes. A queda nos preços das commodities após a pandemia e o ciclo de alta dos juros impactaram significativamente os produtores rurais, levando a um aumento nos pedidos de recuperação judicial e a um endurecimento nas regras de concessão de crédito por parte do banco.
Apesar da pressão no curto prazo devido a empréstimos mais antigos com maior risco, o Banco do Brasil observa resultados positivos em operações mais recentes. A expectativa é que os resultados do primeiro trimestre, a serem divulgados em meados de maio, mostrem uma queda no lucro líquido ajustado na comparação anual, segundo estimativas de analistas.
Em comunicado, o banco reiterou que a decisão de elevar o limite de capital é uma medida prudencial e que não há necessidade de ações adicionais ou debates sobre aumento de capital iminente. As projeções financeiras indicam um reforço gradual dos níveis de capital.