O Congresso da Colômbia aprovou na madrugada de 20 de outubro de 2026 um Orçamento de 635 trilhões de pesos (US$ 201 bilhões) para 2027, alta de 16% em relação ao ano anterior. A proposta recebeu aval da Câmara dos Representantes e do Senado, ampliando a preocupação de investidores com o endividamento do país.
O governo do presidente Abelardo de la Espriella afirma que o aumento é necessário para financiar gastos com saúde, previdência e juros acima do previsto. Em paralelo, o país negocia apoio com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os parlamentares mantiveram o total de despesas apresentado pelo governo, mas transferiram 8,4 trilhões de pesos do serviço da dívida para investimentos e ações de resposta ao terremoto que atingiu o oeste colombiano há dois meses.
O ministro da Fazenda, Miguel Gómez, afirmou após a aprovação na Câmara que o Orçamento é o primeiro passo para recuperar a estabilidade econômica e promover crescimento nos próximos anos.
A mudança na política econômica preocupa investidores. Os rendimentos dos títulos da dívida colombiana subiram desde que o governo apresentou o plano de gastos, em agosto.
Nigel Chalk, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, afirmou na semana passada que a situação fiscal da Colômbia era "insustentável". Uma missão técnica do fundo deve ir a Bogotá em novembro para dar continuidade às conversas preliminares sobre apoio à estabilização fiscal.
Agora, o governo de Espriella precisará buscar no Congresso a aprovação de um plano de ajuste fiscal equivalente a mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo projeções do próprio governo, sem medidas corretivas o déficit poderá superar 9% do PIB em 2027.
Fonte: O Globo