O advogado-geral da União, Jorge Messias, intensificou na véspera de sua sabatina no Senado os esforços para consolidar apoio à sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Messias manteve agenda focada em conversas reservadas com senadores e reuniões com a cúpula da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável pela primeira etapa do processo.
A articulação ocorre enquanto o indicado busca viabilizar um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não se reuniu com Messias. O advogado-geral tem priorizado contatos diretos para reforçar apoios e minimizar resistências.
Entre os compromissos desta terça-feira, Messias se reuniu com o líder do PDT no Senado e relator de sua indicação, Weverton Rocha, e com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA). Ambos atuam nos bastidores para garantir a aprovação do indicado.
Um ponto de atenção na articulação é a postura de Alcolumbre. O senador demonstrou resistência à indicação de Messias, e sua posição é vista como um fator capaz de influenciar parlamentares do centro. Aliados avaliam que um encontro com o indicado, mesmo que tardio, poderia ser simbólico e ajudar a converter votos de indecisos, embora o entorno de Messias considere a reunião improvável.
Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também interveio na articulação. Na segunda-feira, reuniu-se com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para alinhar estratégias e avaliar o ambiente na Casa. Lula buscou um panorama atualizado sobre o placar de votação, sondou o comportamento de Alcolumbre e reforçou a importância do quórum, especialmente em uma semana encurtada pelo feriado.
A preocupação com o quórum se alinha à recente reorganização da CCJ. O governo promoveu trocas de senadores na comissão, substituindo Sergio Moro (PL-PR) por Renan Filho (MDB-AL) e Ana Paula Lobato (PSB-MA) por Cid Gomes (PSB-CE). As mudanças visaram a fortalecer a base de apoio a Messias no colegiado.
Com as alterações, a expectativa é de 16 votos na CCJ, dois a mais que o mínimo necessário. Apesar do cenário considerado favorável, a semana encurtada e a presença de senadores indecisos mantêm a sensibilidade no processo.
Jorge Messias tem intensificado sua preparação para a sabatina, combinando estudo e disciplina pessoal. Ele tem se dedicado ao aprofundamento dos temas a serem debatidos e adotado uma rotina de alimentação leve e jejum parcial. "Estou em paz. Deus proverá a aprovação", declarou Messias ao GLOBO.
No governo, a avaliação é de que a aprovação de Messias é o cenário mais provável, mas a articulação precisa ser impecável até a votação em plenário.