O governo federal reconfigurou a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para assegurar a aprovação de Jorge Messias, advogado-geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mudanças formais na composição da comissão, ocorridas na semana passada, fortaleceram a base aliada, garantindo uma maioria apertada, mas considerada suficiente, para o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a nova configuração, governistas estimam possuir 16 votos favoráveis na CCJ, superando os 14 necessários para que a indicação avance ao plenário. Esse cenário contrasta com o início do mês, quando levantamentos indicavam apenas dez votos de apoio a Messias.
Entre as alterações, a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) assumiu vaga titular em substituição a Cid Gomes (PSB-CE). O senador Renan Filho (MDB-AL) também ingressou como titular, ocupando a posição de Sergio Moro (União-PR), crítico à indicação. Moro já havia perdido assento em outra comissão por meio de articulação governista anteriormente.
Houve ainda mudanças na suplência, com Marcelo Castro (MDB-PI) tornando-se 1º suplente, substituindo Alessandro Vieira (MDB-SE). A expectativa é que a ausência de um senador do bloco de centro, ao qual Vieira pertence, favoreça o voto de Castro.
Apesar dos ajustes, o placar na CCJ é considerado sensível. Muitos senadores ainda não se posicionaram publicamente, e a votação secreta aumenta o risco de surpresas. Messias tem intensificado conversas com senadores, prometendo um STF com menor intervenção sobre o Congresso.
Paralelamente, o presidente Lula tem se envolvido diretamente na articulação política, reunindo-se com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para discutir as estratégias finais. A preocupação com o quórum na votação aumentou devido à proximidade do feriado de 1º de Maio.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), visto como uma variável de influência sobre senadores indecisos, tem sido alvo de esforços de aproximação. Uma reunião planejada entre Alcolumbre, Lula e Messias perdeu força, mas interlocutores do governo buscam viabilizar um gesto de aproximação.
Lula também pretende se reunir com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA). A avaliação no governo é que a aprovação de Messias é provável, mas depende de uma articulação política sem falhas.
Fonte: G1