Relatório da Polícia Federal aponta possíveis vínculos comerciais, financeiros e pessoais entre o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o advogado Willer Tomaz. O documento integra um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Flávio estava registrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa controlada por Willer. Uma troca de e-mails analisada pelos investigadores indica que a exclusão do acesso do senador foi solicitada em 22 de maio de 2025.
Para os investigadores, o registro reforça a hipótese de uma participação econômica ou societária de fato de Flávio na empresa. Os dois negam que mantenham relação comercial ou financeira.
O relatório também cita viagens internacionais pagas ou operacionalizadas pela Cathedral, outra empresa controlada por Willer. Entre os documentos estão reservas de voos em um jato executivo entre Portugal e Nice, na França, em abril e maio de 2025, com a presença de familiares dos dois.
A PF afirma ter encontrado no celular de Willer fotos dos dois em eventos sociais e o contato de Flávio salvo entre os favoritos do aplicativo Confide. A ferramenta permite o envio de mensagens temporárias, que são destruídas após a leitura, além de dificultar capturas de tela e rastreamento.
De acordo com a investigação, Flávio e Willer também viajaram juntos para a África do Sul, Portugal, França e Estados Unidos no primeiro semestre de 2025. Em agosto daquele ano, o advogado teria cedido um apartamento em São Paulo para uso de Flávio durante a campanha, segundo o documento.
Willer afirmou que os dois são amigos, que as viagens ocorreram por causa da convivência entre as famílias e que não houve pagamento ou contrapartida. Ele negou a existência de conta compartilhada e disse que o uso de aplicativos com mensagens temporárias é compatível com a preservação do sigilo profissional.
Flávio declarou que a única relação entre os dois é de amizade entre as famílias. O senador negou ter mantido conta como usuário master de Willer ou de empresas ligadas ao advogado e classificou as acusações como insinuações feitas durante o período eleitoral.
Fonte: O GLOBO