Nos últimos 15 meses, o mercado de ações tem sido fortemente influenciado pelas declarações e postagens nas redes sociais do presidente Donald Trump. Análises da Fundstrat Research indicam que as redes sociais e aparições públicas de Trump são o principal motor por trás dos dias de maior alta e queda do índice S&P 500, um fenômeno considerado sem precedentes na história recente americana.
Especialistas como Hardika Singh, estrategista econômica da Fundstrat, apontam que Trump exerce um controle incomum sobre o desempenho do mercado acionário. A volatilidade recente, exemplificada pela crise em Ormuz, mostra como declarações do presidente sobre um possível cessar-fogo ou o andamento das negociações impactam diretamente os índices. Quedas e recuperações expressivas do S&P 500 coincidiram com as declarações de Trump sobre o conflito.
Essa influência se estende a outras commodities, como o petróleo, que também apresentaram grande volatilidade. Alexander Altmann, chefe de estratégias táticas globais de ações do Barclays, descreve Trump como o "incendiário e bombeiro" do mercado, comparando a situação à turbulência causada pela guerra comercial do ano anterior. Investidores passaram a antecipar e esperar por intervenções do presidente para reverter cenários negativos.
Apesar da forte correlação observada, alguns profissionais de Wall Street argumentam que a relação entre as falas de Trump e o comportamento do mercado pode ser mais anedótica. Medidas de volatilidade, como o índice VIX, não mostram um aumento significativo em comparação com governos anteriores. Segundo Michael Green, da Simplify Asset Management, a maior reatividade do mercado se deve à ascensão do investimento passivo e à comunicação mais frequente via redes sociais, que programam algoritmos para reagir rapidamente a manchetes.
Trump tem usado ativamente canais oficiais da Casa Branca para comentar movimentos do mercado, celebrando recordes e tentando acalmar investidores em momentos de incerteza. O presidente já incentivou explicitamente a compra de ações, uma prática considerada inédita por analistas como Singh.