O pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (23), enquanto buscava se distanciar do senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista à RedeTV, Zema negou utilizar a máquina pública para benefício próprio ou de aliados, defendendo uma gestão "enxuta". "Quem está no setor público muitas vezes quer usar a estrutura em benefício próprio, de familiares ou partidários", declarou, ao ser questionado sobre semelhanças com Flávio Bolsonaro. Apesar de evitar acusações diretas ao senador, Zema afirmou que "muitos (políticos), acho que uma boa parte, têm essa visão de que estar no Estado é para enriquecimento". Cotado como possível vice em uma chapa com o parlamentar do PL, Zema reiterou sua candidatura ao Planalto e defendeu a pluralidade de nomes da direita na disputa. A aproximação entre os dois se intensificou recentemente, especialmente após Flávio Bolsonaro prestar solidariedade a Zema no inquérito das fake news. A investigação, aberta por pedido de Gilmar Mendes a Alexandre de Moraes, foi motivada por vídeos de Zema com críticas à Corte. Em resposta, o ex-governador de Minas Gerais intensificou os ataques ao STF, classificando-o como responsável por "conflitos" e acusando ministros de "frutas podres" e de usarem cargos para obter vantagens pessoais, citando o empresário Daniel Vorcaro. Zema também expressou o desejo de que o Senado avance com pedidos de impeachment contra ministros do STF, especialmente Gilmar Mendes, criticando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, por não pautar as solicitações. "Quando tivermos um presidente do Senado corajoso, essa situação vai se corrigir", afirmou. Zema reagiu a críticas de Gilmar Mendes sobre suas sátiras, ironizando o ministro nas redes sociais. No âmbito econômico, defendeu maior transparência pública, fim de sigilos e contrapartidas para programas sociais como o Bolsa Família. Criticou ainda a política externa do governo federal.
Fonte: O Globo