A confiança do consumidor brasileiro registrou a segunda alta consecutiva em abril, impulsionada pela melhora na percepção sobre a situação econômica atual. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), avançou 1 ponto percentual, atingindo 89,1 pontos, mesmo patamar de dezembro do ano passado, o mais alto até então.
Segundo a economista do Ibre, Anna Carolina Gouveia, a manutenção da inflação controlada e um mercado de trabalho aquecido contribuíram para o resultado. Ela também aponta a isenção do Imposto de Renda para rendas mais baixas como um fator que pode ter aliviado o orçamento de famílias de menor renda, influenciando a melhora da confiança.
O indicador que mede a percepção sobre o momento presente (ISA) avançou 2,1 pontos, chegando a 85,3 pontos, enquanto as expectativas para o futuro (IE) subiram 0,2 ponto, alcançando 92,3 pontos. A maior elevação foi no indicador de situação financeira atual das famílias, que cresceu 3,9 pontos.
A melhora foi mais acentuada entre consumidores com renda de até R$ 2,1 mil mensais, que registraram um aumento de 3,4 pontos na confiança. Em março, o avanço para essa faixa de renda foi de 5,4 pontos.
Apesar do otimismo recente, a economista alerta para incertezas futuras. A guerra no exterior pode impactar a inflação no Brasil, elevando o pessimismo caso os preços voltem a subir. O endividamento elevado dos consumidores é outro ponto de atenção, embora políticas governamentais sinalizadas para ajudar a aliviar essa situação possam trazer um alívio pontual e influenciar positivamente os resultados futuros.
A análise sugere que políticas de auxílio ao consumidor podem melhorar o quadro, permitindo não apenas o pagamento de contas, mas também o retorno ao consumo normal.