Brasília. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a atuação da Corte no caso do banco Master e afirmou que as investigações revelam "problemas mais profundos" ligados ao sistema financeiro. Em entrevista à TV Globo nesta quarta-feira (23/04/2026), Gilmar Mendes sugeriu que a investigação deveria focar no centro financeiro, a Faria Lima, em São Paulo, e não nos Três Poderes em Brasília.
O decano do Supremo saiu em defesa dos colegas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, cujos parentes e relações com o dono do Master, Daniel Vorcaro, foram questionados. Mendes declarou que "cada qual deverá fazer o devido encaminhamento" sobre tais questões.
A declaração ocorre em um momento de crise institucional para o STF. Uma pesquisa Quaest divulgada em março mostrou que, pela primeira vez desde agosto de 2021, a desconfiança no STF (49%) superou a confiança (43%). Parlamentares da oposição têm intensificado pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
Gilmar Mendes também reiterou a defesa do inquérito das fake news, que tramita há sete anos. Ele argumentou que a investigação é necessária para combater ataques contra o STF, especialmente após ter solicitado a inclusão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), no procedimento. Zema havia criticado decisões de Moraes e Toffoli em um vídeo, comparando ministros a "fantasoches". A ação de Mendes gerou críticas da oposição, que a classificou como um ataque à liberdade de expressão.
O ministro também mencionou a ação movida na semana passada contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, por abuso de autoridade. O pedido ocorreu após a CPI sugerir o indiciamento de Mendes, Moraes, Toffoli e do PGR, em um relatório que foi rejeitado pela comissão.