Madri – O PRÊMIO Laureus de 2026, que celebra os maiores feitos do esporte mundial, expõe uma mudança de paradigma: o futuro chegou e é representado por jovens atletas que dominam suas modalidades antes dos 30 anos. A ausência de estrelas consolidadas como Messi, Djokovic e LeBron James nas indicações ao prêmio de esportista do ano sinaliza o fim de uma era.
Nomes como os tenistas Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, o ciclista Tadej Pogacar e o saltador com vara Armand Duplantis exemplificam essa nova geração. Eles não esperam amadurecer à sombra de veteranos; chegam prontos para ocupar o topo.
A média de idade dos indicados ao prêmio de melhor atleta masculino diminuiu drasticamente nos últimos ciclos: de 32,8 anos em 2021-2022 para 25,5 em 2025-2026. Essa queda acentuada, mais de sete anos em apenas três ciclos, reflete uma transformação profunda e não uma coincidência.
Daniel Dias, embaixador do Laureus e ex-nadador paralímpico, atribui a mudança à evolução natural do esporte. "Os atletas começam mais cedo e chegam ao auge também mais cedo", afirma Dias. "Eles já crescem aprendendo a lidar com pressão, vitórias, derrotas e até com a saúde mental."
A precocidade deixou de ser exceção para se tornar o novo padrão de domínio. Atletas como Alcaraz já são protagonistas absolutos antes dos 25 anos, impulsionados por formação mais intensa, tecnologia, análise de desempenho e calendários globais que expõem talentos jovens ao mais alto nível rapidamente.
Nadia Comaneci, ex-ginasta e embaixadora do Laureus, relembra sua própria precocidade aos 14 anos em 1976, algo raro na época. "A diferença hoje é que eles têm todas as ferramentas", explica Comaneci. "Nós tínhamos que adivinhar onde doía. Agora é possível medir exatamente o que o corpo precisa."
Exemplos abundam: Alcaraz e Sinner dividiram o domínio do tênis em 2025, Pogacar conquistou seu quarto Tour de France, Duplantis quebra recordes no salto com vara. Todos são referências estabelecidas, não mais sucessores.
Na categoria revelação, o fenômeno se amplia. No futebol, Désiré Doué; no tênis, João Fonseca; nos dardos, Luke Littler; na natação, Yu Zidi. O MVP da NBA Shai Gilgeous-Alexander e o campeão mundial de F1 Lando Norris também integram a lista, evidenciando a "ruptura do ano" que o Laureus celebra.
O prêmio deixa de ser apenas uma celebração de feitos individuais para se tornar um termômetro de época, revelando uma transformação na lógica do esporte de alto rendimento, onde a juventude impõe seu ritmo e redefine o cenário competitivo.
Fonte: O Globo