A aviação brasileira carece de uma visão voltada para o consumidor, avalia Juliana Pereira, ex-chefe da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Por meio do think tank IPS Consumo, ela tem atuado para alertar órgãos como Cade, CVM e a própria Senacon sobre os riscos de movimentos societários no setor.
Pereira interveio contra a fusão entre Azul e Gol, anunciada no ano passado, por considerar que a união criaria um domínio de mercado de mais de 60%. A fusão não se concretizou após a Azul entrar com pedido de recuperação judicial nos EUA.
Mais recentemente, o IPS Consumo sinalizou preocupação com os investimentos de United Airlines e American Airlines na Azul, alegando potencial prejuízo à concorrência e possível compartilhamento de informações estratégicas com a Gol.
"Ninguém quer que as companhias quebrem; a questão da eficiência financeira é importantíssima, mas víamos que não havia ninguém olhando esse movimento pela ótica do consumidor", afirmou Pereira em entrevista.
Ela também criticou a falta de reação das autoridades públicas diante desses movimentos. "Qual modelo vamos perseguir pelos próximos dez anos? Estamos em uma fase de pauperização do debate", disse a ex-secretária.
A análise do Cade sobre os investimentos da United e American Airlines na Azul está em andamento. Pereira defende que o órgão antitruste se aprofunde na questão para evitar alinhamento de preços e divisão de rotas, preservando o interesse dos consumidores e o ambiente competitivo.