O Deputado Átila Lira (PP-PI), relator do projeto que instituiu a "taxa das blusinhas" em 20%, expressou preocupação com a possibilidade de o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 ser derrubado ou reduzido no Congresso. Lira avalia que o ano eleitoral e a resistência de parte dos parlamentares, inclusive de direita, dificultam a manutenção da taxação. Ele destacou, no entanto, que a medida trouxe benefícios ao varejo nacional, evitando demissões e impulsionando o setor.
Em entrevista ao GLOBO, Lira lembrou que a taxação foi aprovada com ampla maioria na Câmara em 2024, mas reconheceu que o cenário político atual é menos favorável à sua permanência. "Hoje, o momento não é muito favorável, é mais pró retirada da taxa... essa discussão voltando, é perigoso, não sei se o Congresso segura não", comentou.
Átila Lira apontou que as plataformas internacionais continuaram operando e crescendo mesmo após a taxação, e o programa Remessa Conforme fortaleceu o controle sobre importados, aumentando a arrecadação e a qualidade dos produtos. Ele também mencionou que a possível revisão do imposto pode ser uma tentativa do governo de melhorar a aprovação do presidente Lula.
Um interlocutor do alto escalão do Congresso considera a revogação ou diminuição da taxa um retrocesso para o varejo nacional e um movimento eleitoreiro do Planalto, focado no curto prazo. A equipe econômica, por sua vez, preza pela manutenção da arrecadação, que já atingiu R$ 5 bilhões anuais, e teme impactos negativos no varejo e na indústria.
A União Geral dos Trabalhadores (UGT) defende a manutenção da taxa, argumentando que ela protege a indústria e os empregos locais, além de equilibrar o comércio com produtos chineses. Ricardo Patah, presidente da UGT, considera o valor atual baixo e pede que o debate seja guiado pelo desenvolvimento industrial e proteção do mercado de trabalho, e não por populismo.
Plataformas estrangeiras, especialmente as chinesas, pressionam pelo fim da taxação, argumentando que a redução de tributos poderia ajudar a conter a inflação. A motivação eleitoral para a discussão da "taxa das blusinhas" no governo é vista como um ponto de preocupação, que compromete a qualidade do debate.