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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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ECONOMIA E TECNOLOGIA

Baterias: A Revolução Silenciosa nos Sistemas Elétricos Globais

Queda nos custos e instabilidade geopolítica impulsionam a adoção global de sistemas de armazenamento de energia renovável, com a China liderando a produção e a Austrália já superando usinas a gás.

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Baterias: A Revolução Silenciosa nos Sistemas Elétricos Globais

Uma nova era para os sistemas elétricos globais começou. Megainstalações de baterias estão sendo conectadas às redes de transmissão em todo o mundo, desde o Texas até a Austrália, impulsionadas pela queda nos custos e pela crescente demanda por energia. A instabilidade geopolítica e a alta dos combustíveis fósseis aceleraram ainda mais essa transição.

Analistas preveem um aumento de um terço nas instalações de baterias neste ano, com Europa, Oriente Médio, África e América Latina liderando a expansão. Fabricantes chineses já reportam lucros crescentes, e países como o Vietnã buscam substituir projetos de combustíveis fósseis por soluções de armazenamento de energia renovável.

“Sempre que alguém pensa em investir no sistema elétrico, as baterias são uma das opções mais atraentes”, afirma Brent Wanner, chefe da unidade do setor elétrico da Agência Internacional de Energia. A expectativa é de crescimento contínuo nos sistemas de armazenamento em baterias.

Em mercados com forte presença de energia solar e eólica, as baterias permitem comprar eletricidade a baixo custo e vendê-la nos horários de pico. Os custos médios dessas tecnologias caíram cerca de 75% entre 2018 e 2025, com projeção de novas quedas até 2035, segundo a BloombergNEF.

Projetos de grande escala já demonstram o impacto. Na Mongólia, instalações com capacidade combinada de 7,4 gigawatts-hora rivalizam com usinas tradicionais. Na Austrália, as baterias já forneceram mais energia à rede do que usinas a gás durante o pico noturno em algumas regiões.

O papel da China é central nesse boom. Anos de investimento na cadeia de suprimentos de veículos elétricos criaram um excesso de baterias, reduzindo preços e impulsionando a adoção global. O país domina a capacidade de fabricação e metade das instalações de rede existentes.

A rapidez na construção de sistemas de baterias se tornou um diferencial, especialmente nos Estados Unidos, onde data centers buscam soluções para complementar a rede elétrica. Elon Musk, com sua empresa xAI, utiliza baterias Tesla para garantir o fornecimento em instalações de supercomputação.

Novas tecnologias, como as baterias de ferro desenvolvidas pela Form Energy, prometem armazenamento de até 100 horas, expandindo as capacidades além do íon-lítio. Na Europa, o desafio é gerenciar a volatilidade de redes impactadas pela expansão de fontes renováveis, com a Alemanha prevendo perdas bilionárias com o desperdício de energia.

A guerra no Oriente Médio também reconfigura o cenário, aumentando a necessidade de proteção contra a volatilidade dos preços de energia e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Índia e Egito aceleram projetos de armazenamento, enquanto o Brasil prepara seu primeiro leilão de baterias em escala de rede.

Apesar da dependência da China e de desafios logísticos e de conexão à rede, o boom das baterias deve continuar. A crescente demanda por energia, o avanço dos data centers e a expansão das renováveis consolidam o armazenamento como peça fundamental para a segurança e resiliência energética global.

Fonte: O Globo

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