Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram a postura do presidente da Corte, Edson Fachin, em relação ao relatório da CPI do Crime Organizado, que pedia o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. A reação de Fachin foi considerada "tímida" por uma ala do STF critica reação de Fachin a CPI e pede união interna, aprofundando a insatisfação e as divergências internas sobre a defesa do STF.
A nota divulgada por Fachin, após a rejeição do parecer na CPI por seis votos e quatro, aumentou o desconforto entre magistrados que avaliam a forma como o presidente da Corte se posiciona em episódios que expõem seus membros. Ministros ouvidos pela reportagem defendem que Fachin "zere o jogo" internamente para conter o desgaste e recompor as relações com os demais magistrados.
A sugestão é que Fachin reduza declarações públicas e evite iniciativas que gerem ruídos internos ou reforcem a percepção de crise. Pautas sensíveis, como a discussão sobre um Código de Conduta para ministros, podem ser deixadas em segundo plano. Para este grupo, a prioridade é a união interna para enfrentar ações que visam deslegitimar a Corte, lembrando a atuação conjunta em defesa da democracia.
A leitura de parte do STF é que a resposta tardia de Fachin expôs o Supremo como um todo. O episódio, o primeiro em que uma CPI pediu o indiciamento de ministros, reacendeu desconfortos acumulados com a exposição pública da Corte e de seus integrantes.
O mal-estar se soma à insatisfação de parte do tribunal com declarações recentes de Fachin e da ministra Cármen Lúcia sobre transparência e regras de conduta. Embora as manifestações visem responder a críticas externas, o efeito prático tem sido ampliar a exposição do STF em um momento de pressão política.
Essa ala entende que discutir mecanismos de controle de conduta pode alimentar narrativas de fragilidade institucional. Além disso, há incômodo com a interpretação de que mensagens genéricas sobre ética possam ser direcionadas a casos específicos, o que contribui para um ambiente de desconfiança interna.
Fonte: O Globo