A automatização e qualificação de cadastros em programas sociais podem gerar uma economia anual de R$ 22,3 bilhões para o governo federal. A constatação é de um estudo do Insper, que sugere aprimoramentos operacionais e cruzamento de dados para otimizar a gestão de benefícios como Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A pesquisa, liderada por Sergio Firpo e Thaline Prado, do Insper, indica que as melhorias podem ser implementadas sem a necessidade de alterações legislativas. A proposta envolve o uso de bases de dados governamentais para identificar inconsistências e automatizar processos.
No Bolsa Família, a revisão de domicílios e o cruzamento de informações do Cadastro Único podem economizar R$ 4,2 bilhões anualmente. O estudo se baseia em auditoria do TCU de 2023, que apontou irregularidades em 22,5% dos domicílios analisados, com renda superior aos critérios do programa.
Para os auxílios por incapacidade do INSS, a economia potencial é de quase R$ 10 bilhões. O estudo aponta gargalos em pedidos que exigem perícia e a falta de revisão contínua no instituto, que acumula pagamentos indevidos.
A aposentadoria rural também apresenta potencial de economia de R$ 5,3 bilhões anuais. A proposta é cruzar dados de saúde, educação e georreferenciamento para verificar a veracidade das informações dos requerentes.
O estudo, apoiado pelo Movimento Orçamento Bem Gasto e pelo instituto Mais Progresso, será apresentado em evento do Insper em São Paulo.