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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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ECONOMIA GLOBAL

FMI reduz projeção global e alerta para recessão, mas melhora cenário do Brasil

FMI reduz projeção de crescimento global para 3,1% em 2026 e eleva o PIB do Brasil para 1,9%, impulsionado por commodities energéticas. Alerta para risco de recessão global em caso de prolongamento do conflito no Oriente Médio.

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FMI reduz projeção global e alerta para recessão, mas melhora cenário do Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) diminuiu a previsão de crescimento para a economia mundial em 2026 e acendeu um alerta sobre o risco de recessão, especialmente se o conflito no Oriente Médio se intensificar. Em contrapartida, a instituição revisou para cima a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, beneficiado pela alta das commodities energéticas.

A projeção de crescimento global para 2026 foi ajustada de 3,3% para 3,1%. A mudança ocorre em meio aos impactos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre os preços de energia, cadeias produtivas e a confiança dos mercados globais.

Para o Brasil, a estimativa de crescimento do PIB em 2026 subiu de 1,6% para 1,9%. O FMI avalia que o país está menos exposto aos efeitos negativos do conflito em comparação com economias asiáticas, europeias e africanas, podendo inclusive colher benefícios de curto prazo por ser um exportador líquido de energia.

O FMI considera o cenário atual uma ameaça maior para a economia global do que choques recentes, como a política tarifária dos EUA. O economista-chefe da instituição, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou que a escalada de tensões no Golfo Pérsico pode gerar consequências mais graves do que o inicialmente previsto.

No cenário base, o conflito teria curta duração, com o preço médio do petróleo em torno de US$ 82 o barril em 2026, ainda assim resultando em desaceleração global. Em um cenário adverso, com o petróleo acima de US$ 100 o barril até 2027, o mundo poderia se aproximar de uma recessão. Em um cenário mais severo, com preços atingindo US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027, a inflação global ultrapassaria 6%, forçando novos apertos monetários pelos bancos centrais.

Apesar do ambiente externo desafiador, o Brasil se destaca com revisão positiva nas projeções, impulsionado pelo aumento das receitas de exportação de petróleo e outras commodities. Contudo, o crescimento brasileiro permanece moderado em comparação a outras economias emergentes. Para 2027, a previsão é de expansão de 2%, abaixo do estimado anteriormente, refletindo a desaceleração global, aumento de custos de insumos e condições financeiras mais restritivas.

O FMI destaca que fatores como elevadas reservas internacionais, menor dependência de dívidas em moeda estrangeira e câmbio flutuante devem auxiliar o Brasil a enfrentar choques externos.

Entre as grandes economias, os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026, com leve desaceleração em 2027. A zona do euro enfrenta um cenário mais difícil, com crescimento projetado em cerca de 1,1%, pressionado pelos custos de energia. A China deve expandir 4,4% em 2026, enquanto o Japão projeta um crescimento mais modesto, próximo de 0,7%.

As projeções do FMI consideram um cenário de conflito relativamente controlado. No entanto, uma escalada mais intensa ou interrupções prolongadas no fornecimento de energia poderiam impactar significativamente o crescimento, a inflação e os mercados financeiros. O relatório aponta para um período de maior fragilidade na economia global, mais sensível a choques geopolíticos. O desempenho brasileiro, embora positivo, é visto como um alívio pontual, dependente de fatores externos.

Fonte: Agência Brasil

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