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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Cartões de Criptomoedas Ganham Espaço com Economia em Viagens Internacionais

A isenção do IOF e spreads menores impulsionam o uso de cartões de criptomoedas por brasileiros em viagens internacionais. O mercado vê a regulamentação do Banco Central como chave para a expansão.

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Cartões de Criptomoedas Ganham Espaço com Economia em Viagens Internacionais

Brasileiros estão cada vez mais utilizando cartões lastreados em criptomoedas para economizar em viagens internacionais. A principal vantagem é a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incide sobre gastos no exterior com cartões tradicionais.

A modalidade permite pagamentos em qualquer moeda, como reais ou dólares, com conversão automática e débito do saldo em cripto. O volume mensal global dessas transações atingiu US$ 600 milhões em março, mais que o triplo do registrado no ano anterior, segundo a plataforma The Block.

O uso ganhou força no Brasil após o aumento da alíquota de IOF para 3,5% em gastos no exterior, medida adotada pelo Ministério da Fazenda para aumentar a arrecadação. O país se tornou o quinto maior em adoção de criptomoedas no mundo em 2025, de acordo com a Chainalysis.

Além da ausência de IOF, o spread na conversão de moedas pode ser menor. Alexandre Vargas, advogado do TozziniFreire Advogados, explica que as conversões utilizam cotações de mercado disputadas e atualizadas em tempo real, reduzindo a margem e tornando o produto mais competitivo.

Uma tentativa do Ministério da Fazenda de taxar operações com criptoativos com IOF de 3,5% não avançou. Entidades do setor criticaram a medida, argumentando que as transações com criptomoedas não se enquadram na cobrança de IOF, pois são operações com ativos virtuais, não troca entre moedas. Guilherme Manier, do Viseu Advogados, ressalta que o governo já possui dados para fiscalização, tornando o IOF uma medida puramente arrecadatória.

A regulamentação do Banco Central, em vigor desde fevereiro, aumentou a segurança jurídica e tornou os cartões de criptoativos mais atraentes. Especialistas avaliam que a regulação aproxima o mercado do sistema financeiro tradicional, reconhecendo criptoativos como instrumentos legítimos e incentivando seu uso como meio de pagamento.

Leonardo Cruz, do Pinheiro Neto Advogados, prevê que o uso de cripto se expandirá para além de compras online, abrangendo o pagamento de bens e serviços.

Analistas preveem que a clareza regulatória, o avanço tecnológico e a demanda dos consumidores acelerarão a oferta dessas soluções. Empresas como Stripe, Mastercard e Visa já integram stablecoins em suas infraestruturas, enquanto MetaMask, Kraken e Crypto.com lançaram cartões de pagamento com criptoativos.

A Binance lançou o Binance Card no Brasil, escolhido pelo alto nível de adesão dos consumidores às criptomoedas. Guilherme Nazar, vice-presidente da Binance para a América Latina, afirma que a empresa gerou US$ 1,75 bilhão em economia em taxas para usuários em remessas instantâneas entre 2022 e 2024.

Nazar destaca que as moedas digitais contribuem para a inclusão financeira ao oferecer acesso a produtos de investimento e meios de pagamento fora do sistema tradicional. Ele ressalta que, apesar de jovens, as criptomoedas se desenvolvem rapidamente, atraindo público que busca diversificação, serviços acessíveis e autonomia.

A Mastercard investe em startups do setor e busca expandir o acesso a pagamentos com criptoativos no Brasil. Eduardo Arnoni, VP sênior de Soluções para Clientes da Mastercard, vê o mercado brasileiro como dinâmico e aberto a novas tecnologias.

Tanto o mercado quanto especialistas veem a regulamentação como essencial para o desenvolvimento seguro e sustentável, reduzindo assimetrias, dando previsibilidade e acelerando a adoção dos criptoativos no dia a dia do consumidor.

Fonte: O Globo

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