O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) recusou um pedido de empréstimo do Banco de Brasília (BRB) até que a instituição apresente um balanço detalhado de suas perdas, especialmente as relacionadas às transações com o Banco Master. O BRB, que enfrenta dificuldades financeiras, solicitou ao FGC uma injeção de R$ 4 bilhões para cobrir um rombo de capital estimado em R$ 8,8 bilhões.
A hesitação do FGC ocorre devido ao risco de que o impacto financeiro total das operações com o Banco Master seja significativamente maior do que o previsto. Fontes indicam que uma eventual liquidação do BRB poderia gerar prejuízos ainda mais expressivos para o FGC.
O BRB ainda não divulgou seu balanço do segundo trimestre do ano passado, e investigações independentes sobre suas ligações com o Banco Master continuam a revelar novas informações. Procurados, nem o FGC nem o BRB comentaram o caso.
O banco de Brasília detinha cerca de R$ 40 bilhões em depósitos à vista e a prazo cobertos por garantias do FGC em junho. Antes do colapso do Banco Master, o BRB adquiriu R$ 22 bilhões em ativos, incluindo imóveis, cemitérios e restaurantes, dos quais R$ 13 bilhões eram de crédito fraudulento. O BRB alega ter substituído ou liquidado mais de R$ 10 bilhões em ativos de baixa qualidade.
O banco busca captar recursos para suprir a lacuna de capital e já convocou e remarcou uma assembleia de acionistas para votar um aumento de capital. Recentemente, o governo de Brasília informou que o BRB recebeu uma oferta de R$ 15 bilhões por ativos adquiridos do Master, com R$ 4 bilhões a serem pagos imediatamente e o restante via instrumentos financeiros. O Banco Central ainda analisará a oferta, que pode esclarecer parte das perdas.
A governadora Celina Leão busca outros bancos para auxiliar o BRB. O órgão regulador S&P rebaixou a classificação de crédito do BRB em março, citando incertezas sobre a capacidade do governo de Brasília de injetar capital e o impacto das investigações na solidez financeira do banco.