O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13) pelo serviço de imigração dos Estados Unidos. A Polícia Federal (PF) aponta que Ramagem entrou no país com apoio de aliados e uso de documentos falsos. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no processo da trama golpista, o ex-parlamentar estava em Miami desde setembro de 2025.
A investigação da PF indica que a família do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, foi central na fuga e permanência de Ramagem nos EUA. Rodrigo, sua mulher Priscila de Mello e o filho Celso Rodrigo de Mello são apontados como responsáveis por fornecer moradia, suporte financeiro e documentos falsos ao ex-deputado.
Os detalhes foram revelados em decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, em dezembro de 2025. A PF afirmou que a família do garimpeiro evidenciou o "claro intuito de financiar a organização criminosa" investigada por tentativa de golpe de Estado. Documentos falsos teriam sido usados para obter carteira de motorista nos EUA.
A rota de fuga de Ramagem incluiu a saída do Brasil por Roraima, cruzando a fronteira pelo município de Bonfim em direção à Guiana, onde Cataratas possui negócios. De lá, Ramagem seguiu para os Estados Unidos. A PF aponta que o esquema contou com estrutura organizada para garantir a fuga e a permanência clandestina no exterior.
Em novembro, Cataratas publicou um vídeo nas redes sociais defendendo Ramagem. Ele afirmou que o ex-deputado tinha amigos em Roraima e que, na época da visita, não havia condenação contra ele. Cataratas classificou a narrativa de fuga como "falaciosa" e disse que ele e seus aliados eram "perseguidos".
Rodrigo Cataratas é pré-candidato ao Senado pelo PRD. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL, declarando R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo, além de dez aeronaves, onze veículos e um patrimônio total de R$ 33,6 milhões. Ele é um dos líderes do "Movimento Garimpo é Legal".
O Ministério Público Federal denunciou Cataratas em janeiro de 2024 por suspeita de atear fogo a um carro do Ibama e invadir o pátio da PF para incendiar um helicóptero do instituto em 2021. Ele é réu em três processos na Justiça Federal por exploração ilegal de ouro em Roraima.
O filho de Cataratas, Celso, também teve problemas com a Justiça. Em 2022, foi preso por suspeita de explorar ouro ilegalmente na Terra Indígena Yanomami, sendo solto dias depois. Ele foi preso em Manaus pela PF em dezembro, por determinação de Alexandre de Moraes, no âmbito da investigação sobre a suposta fuga de Ramagem.