Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Mourad, o "Primo", principais alvos da Operação Carbono Oculto, foram encontrados na Líbia. A dupla, que está foragida da Interpol, negocia uma delação premiada com o Ministério Público de São Paulo. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, eles apresentaram uma proposta que inclui a denúncia de magistrados.
Investigadores apontam Beto Louco e Primo como figuras centrais no esquema que permitiu ao PCC se infiltrar no setor de combustíveis. Estima-se que mil postos ligados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Beto Louco seria responsável pela gestão de empresas usadas para fraudes fiscais e ocultação de recursos. A defesa de Beto Louco nega qualquer ligação com o PCC, e a defesa de Mourad refuta qualquer relação com o crime organizado.
A Polícia Federal investiga o papel de Beto Louco como articulador político do grupo. Registros indicam que ele esteve no Aeroporto de Brasília no mesmo dia e horário do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, que nega ter viajado com o empresário. Diálogos de WhatsApp entre Rueda e Beto Louco foram apresentados à PGR durante negociações anteriores de delação.
Um piloto de táxi aéreo declarou à PF ter transportado Beto Louco e Mourad diversas vezes, e que Rueda seria o dono de fato da empresa de aviação, o que o dirigente nega.