O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou nesta quinta-feira (9) o uso de prisões como ferramenta para obter delações premiadas no Brasil. Em um jantar com empresários em São Paulo, Silva afirmou que o modelo atual resultou em uma "tragédia" e defendeu um debate público sobre a regulamentação do instrumento.
A declaração surge em um momento em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pautou uma ação movida pelo PT que visa justamente regulamentar as delações. Moraes atua na ação após o avanço nas tratativas de delação de Daniel Vorcaro, dono do Master, e busca restringir a validade do acordo, seguindo uma linha de atuação recente em que limitou o uso de relatórios de inteligência financeira.
Edinho Silva evitou comentar diretamente a decisão de Moraes, mas ressaltou a importância do debate. "A delação é um instrumento jurídico que tem que ser utilizado, mas não se pode prender alguém para que essa pessoa delate", disse. Ele argumentou que a prisão como forma de pressão para obter confissões é incorreta e pode abrir precedentes perigosos.
Apesar das críticas ao modelo de delação, o presidente do PT elogiou a atuação de Alexandre de Moraes na defesa da democracia brasileira, lembrando seu papel em evitar um "golpe de Estado". Silva interpretou a orientação de Lula para que Moraes se abstivesse de julgar casos em que poderia haver conflito de interesse como um cuidado para não "macular uma página tão bonita na reavaliação que ele escreveu na defesa da democracia brasileira".
O evento foi promovido pela Esfera Brasil e contou com a presença de empresários, advogados e políticos, incluindo o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Fonte: O Globo