O Advogado-Geral da União, Jorge Messias, participou de um jantar na noite de quarta-feira (8) em Brasília para reforçar sua articulação em busca de votos para o Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, realizado no Lago Sul, contou com a presença do ministro Cristiano Zanin, e serviu para mapear apoios e avaliar o cenário político na Casa.
Messias foi convidado para um encontro semanal de senadores, prática que já ocorreu com outros indicados de Lula para o STF em seu terceiro mandato, como Zanin e Flávio Dino. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceu ao evento.
Em tom descontraído, Zanin teria compartilhado lembranças de sua própria indicação. Messias chegou ao local acompanhado pelo presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), e pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Cerca de 40 senadores estiveram presentes, incluindo Soraya Thronicke (PSB-MS) e Sérgio Petecão (PSD-AC). O senador Ciro Nogueira (PP-PI) confirmou presença, mas não compareceu, pois sua bancada jantava em evento próprio, assim como o PL.
O principal tema das conversas foi a necessidade de preencher a vaga remanescente no STF e evitar instabilidade institucional. Um argumento circulante entre os presentes é que, caso Messias seja reprovado, uma indicação considerada "pior" poderia ocorrer, estratégia usada por aliados para angariar votos de indecisos.
Outro ponto abordado foi o veto presidencial ao projeto da dosimetria das penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro. Senadores veem a análise do veto como um possível instrumento de "pacificação" política, com o objetivo de acalmar a oposição e reduzir atritos para a sabatina de Messias. O presidente do Senado sinalizou intenção de pautar o tema em breve.
Apesar da articulação intensa, a votação para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) segue indefinida, com Messias ainda sem os 14 votos necessários, segundo levantamento do GLOBO. Aliados estimam cerca de 48 votos no plenário, mas a votação secreta gera incertezas. Resistências estariam concentradas em um grupo de 15 senadores mais alinhados à oposição e na influência de Alcolumbre sobre indecisos.
O jantar foi organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP). Para aliados de Messias, o evento foi crucial para medir resistências, ajustar o discurso e avançar em votos ainda em aberto, com a expectativa de novas conversas reservadas nas próximas semanas.
Fonte: O Globo