A falta de definição do governo federal sobre o fim da escala 6x1 gerou desconforto na base aliada do Congresso. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), classificou a situação como "certo constrangimento" nesta quarta-feira (8). A indefinição ocorre em meio à tramitação de uma PEC sobre o mesmo tema e à expectativa de um projeto de lei próprio do Executivo.
As declarações de Uczai vêm após informações conflitantes. Na terça-feira (7), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicou que o governo poderia desistir de enviar um projeto e apoiar propostas já existentes. "O que aconteceu ontem, eu acho que foi até constrangedor. Mas acredito que governo e Arthur Lira precisam se entender e tomar uma decisão", afirmou Uczai.
O parlamentar defende que o governo "precisa tomar uma decisão. Se vai encaminhar, encaminha. E ponto". Segundo Lira, a informação sobre a desistência partiu do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), durante reunião com líderes partidários.
O Palácio do Planalto, no entanto, negou a desistência e afirmou que o projeto estava em construção. Nesta quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou a intenção de enviar uma proposta sobre o tema ainda nesta semana.
Uczai ressaltou a necessidade de maior coordenação entre Executivo e Legislativo, apontando "ruído na comunicação". Ele defende alinhamento prévio antes de anúncios públicos sobre pautas sensíveis.
Nos bastidores, aliados admitem divergências sobre a estratégia. O Planalto busca protagonismo, enquanto parlamentares preferem avançar com propostas já em análise.
O fim da escala 6x1 tem mobilizado centrais sindicais e ganhado força política, mas enfrenta resistência no Congresso, especialmente de setores empresariais.
Arthur Lira pretende dar andamento à PEC, com análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana. O governo e parte da bancada defendem um projeto de lei com urgência como caminho mais adequado.
Uczai explicou que a intenção é discutir um texto focado na instituição da escala 5x2 e na redução da jornada para 40 horas semanais. Ele teme que uma PEC possa "desvirtuar" o objetivo principal do projeto.
Fonte: G1