A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal não terá seus trabalhos prorrogados. O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou nesta terça-feira (7) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter o encerramento das atividades para o dia 14, data original.
Vieira havia solicitado a extensão dos trabalhos por mais 60 dias para aprofundar as investigações sobre a expansão e atuação de facções criminosas no Brasil. Segundo o senador, Alcolumbre justificou a negativa alegando ser inadequado prorrogar a CPI às vésperas do início do calendário eleitoral.
Em pronunciamento no plenário, Alessandro Vieira lamentou a decisão e a classificou como um "desserviço para o Brasil". Ele ressaltou que, com o fim iminente, a CPI não poderá concluir apurações sobre a "infiltração criminosa" em instâncias públicas do Rio de Janeiro e o caso do Banco Master.
O relator descreveu o Banco Master como uma organização criminosa responsável por lavagem de dinheiro, estelionato, corrupção e golpes financeiros, que teria prestado serviços a "muita gente importante desse país, nos três Poderes". Vieira também alertou para a dualidade entre a criminalidade violenta e a "infiltração pela corrupção" nos centros de poder em Brasília e São Paulo.
Davi Alcolumbre, que presidia a sessão, não comentou as declarações do relator.