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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Argentinos afundam em dívidas após liberalização de crédito

Aumento das taxas de juros e desaceleração econômica deixam milhões de argentinos endividados, contrastando com o cenário macroeconômico. Crise atinge famílias e derruba popularidade do presidente Milei.

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Argentinos afundam em dívidas após liberalização de crédito

O acesso facilitado ao crédito na Argentina, impulsionado pelas políticas do presidente Javier Milei, levou milhões de argentinos ao endividamento. Apesar da queda da inflação e do crescimento econômico inicial, o aumento das taxas de juros e a desaceleração da economia no fim do ano passado transformaram cidadãos comuns em devedores.

Cristian Dezilio, pai de quatro filhos, se arrepende do empréstimo para comprar um carro usado. "O preço do frango subiu, o preço do botijão de gás subiu e meu salário começou a diminuir", relata. A parcela mensal, antes administrável, tornou-se uma "batalha árdua".

A taxa de inadimplência em empréstimos pessoais fora do sistema bancário atingiu 24% em janeiro. Empréstimos bancários com atraso superior a 90 dias chegam a 10,6% das famílias, o maior índice desde 2010.

A dívida pessoal argentina equivale a cerca de 1,5 vez a renda média. O cenário contrasta com a recuperação macroeconômica, evidenciando a deterioração das finanças pessoais de muitos cidadãos. A aprovação de Milei caiu para 36%.

O crédito ao consumidor dobrou para 13,6% do PIB, mas a alta das taxas de juros surpreendeu. A estratégia de parcelamentos sem juros, comum em períodos de inflação alta, perdeu eficácia com a desaceleração da economia.

Salários reais ainda não se recuperaram e custos fixos, como contas de serviços públicos, quintuplicaram. Cerca de um quarto da renda já está comprometido com o pagamento de dívidas.

Ana Valerio, vendedora em Ezeiza, contraiu um empréstimo para a festa de 15 anos da filha. Com o marido desempregado, a dívida virou uma "bola de neve". "Foi lindo. Toda vez que vejo as fotos, penso: ‘Nós conseguimos’. Mas sei o que isso deixou para trás", lamenta.

O crescimento econômico sob Milei é desigual. Setores como agricultura e mineração cresceram, enquanto indústria, turismo e construção encolheram, resultando em 200 mil empregos formais cortados.

Fonte: O Globo

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