A primeira semana de Jair Bolsonaro em prisão domiciliar foi marcada por uma rotina de cuidados médicos e fisioterapia em casa, contrastando com o aumento da tensão familiar entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente. O acesso a Bolsonaro está restrito, intensificando o poder de quem o cerca.
Médicos acompanham a saúde do ex-presidente em sua residência. O cirurgião Brasil Ramos Caiado esteve no local, e relatos indicam um quadro estável, dentro das limitações da recuperação.
Um conflito familiar ganhou destaque quando o deputado Eduardo Bolsonaro mencionou ter produzido um vídeo para o pai, o que gerou irritação em Michelle. A declaração levantou suspeitas de descumprimento das ordens judiciais que proíbem Bolsonaro de usar celular e redes sociais. Michelle divulgou nota negando o recebimento de conteúdo.
Carlos Bolsonaro publicou uma mensagem enigmática criticando articuladores da "união da direita", interpretada como um ataque à madrasta. Em resposta, Michelle compartilhou um vídeo de Esperidião Amin, adversário de Carlos em Santa Catarina, sinalizando a disputa interna por espaço.
As visões sobre o estado de saúde também divergiram. Carlos Bolsonaro afirmou que a saúde do pai "continua se deteriorando", enquanto Michelle declarou que ele está "animado" e com menos episódios de soluços.
Bolsonaro passa a maior parte do tempo em uma cama reclinável, com pouca exposição e estímulos. A rotina inclui fisioterapia respiratória e alimentação controlada, com retorno a sólidos, mas restrições a frutas cítricas, café e refrigerantes. Ele tem assistido a transmissões esportivas, especialmente futebol, para preencher o tempo.
Michelle Bolsonaro centralizou os cuidados e o controle de acesso ao ex-presidente. As filhas Laura e Letícia auxiliam nas tarefas diárias.
A proibição do uso de celular e a limitação de visitas alteraram o equilíbrio familiar. Sem comunicação direta com aliados, Bolsonaro depende de intermediários, elevando a importância de Michelle. Os filhos mais velhos monitoram o acesso ao pai.
O senador Flávio Bolsonaro, como advogado no processo, tem permissão para visitas diárias de meia hora. A defesa pediu autorização para que Eduardo Torres, irmão de Michelle, atue como cuidador.
A expectativa para o feriado de Páscoa é de encontros familiares, com os três filhos homens autorizados a visitar Bolsonaro por até duas horas no sábado. No domingo, a comemoração tende a ser mais restrita, com a presença apenas de Michelle e moradores da casa.