O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou do plano de adquirir um novo avião presidencial. A decisão, tomada nesta sexta-feira (3), ocorre por receio de desgaste eleitoral às vésperas da campanha de reeleição. Apesar de já ter orçamentos em mãos, o Palácio do Planalto deixará o assunto de lado para evitar o impacto político negativo no ano em que Lula buscará o quarto mandato.
A cotação de preços junto ao mercado internacional foi elaborada pelo Ministério da Defesa e pela Aeronáutica, mas o processo de compra não avançou e deve ser engavetado em 2026. Interlocutores do governo avaliam que o presidente reconsiderou a aquisição por estar no último ano de mandato e próximo da eleição.
O recuo de Lula acontece enquanto o presidente intensifica os esforços para a campanha presidencial. Ao longo de 2024 e 2025, Lula manifestou publicamente o desejo de comprar um novo avião após enfrentar ao menos três episódios de risco em voos oficiais. O alto custo, estimado entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, e a escassez de aeronaves no mercado internacional foram outros entraves.
O atual avião presidencial, um Airbus A319CJ adquirido há 20 anos, sofreu uma pane no México em outubro de 2024, quando uma turbina falhou. O incidente forçou a aeronave a sobrevoar a Cidade do México por quase cinco horas para um pouso seguro. Lula e sua comitiva precisaram trocar de avião para retornar a Brasília. Outros episódios de falha ocorreram em março de 2025 e em outubro do ano passado, no Pará.
A intenção de trocar o avião também decorre da insatisfação de Lula e da primeira-dama, Janja, com as limitações da atual aeronave, que tornam as viagens ao exterior cansativas. O presidente defende um avião com maior autonomia para voos internacionais, o que reduziria o tempo de deslocamento e tornaria os roteiros mais seguros. O alto custo da aquisição, no entanto, pesou na decisão, assim como a avaliação de que poderia gerar narrativas negativas junto à opinião pública em meio a pressões fiscais.
Um novo avião presidencial também ampliaria os gastos da campanha eleitoral do PT. Os custos das viagens para atos de campanha devem ser pagos pelo partido, e um avião mais moderno poderia encarecer esses trajetos. Como presidente da República, Lula só poderá viajar em aviões da FAB.
Fonte: O Globo