O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, quebrou o silêncio nesta terça-feira (1º) após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Almeida declarou ser inocente e classificou as acusações como mentira, sugerindo que sua situação foi distorcida para fins políticos.
Almeida afirmou que respeita o sigilo do processo, mas que se pronunciou para defender sua honra e a de sua família. Segundo ele, sua versão será apresentada à Justiça, onde poderá provar sua inocência e expor como uma causa importante foi usada para afastá-lo da vida política. Ele criticou a forma como foi demitido, sem direito à defesa, e comparou sua situação à de homens negros na sociedade, frequentemente associados à brutalidade.
O ex-ministro também questionou a atuação da organização Me Too Brasil, que confirmou ter recebido denúncias contra ele, alegando que a entidade não apresentou provas concretas. Almeida disse que em 30 anos de carreira nunca recebeu reclamações e que a imagem de "homem poderoso" que tentaram criar dele não condiz com a realidade de sua demissão.
O caso foi divulgado em 2024. A Polícia Federal indiciou Almeida em novembro do ano passado. Anielle Franco relatou à PF ter sofrido atitudes desrespeitosas e importunações desde o fim de 2022, sendo o ato mais grave uma suposta mão em suas pernas durante reunião em maio de 2023. O processo tramita em sigilo no STF, com o ministro André Mendonça como relator.