Brasília – O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), iniciaram um movimento de reaproximação nesta terça-feira (1º), após um período de tensões públicas. A escolha de Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência gerou críticas de Leite, que expressou desconforto com a condução do processo dentro do partido.
Em um telefonema, Leite assegurou a Caiado que seu incômodo não era pessoal, mas sim relacionado à forma como a decisão foi tomada, sem amplo debate interno. O governador gaúcho colocou-se à disposição para contribuir com a pré-campanha de Caiado, sinalizando um gesto de distensão.
A conversa surge após Leite ter divulgado um vídeo na segunda-feira (31) criticando a escolha do PSD e alertando para o risco de reforçar a polarização política no país. Nos bastidores, o descontentamento de Leite já era conhecido desde o domingo, quando foi informado da decisão e a comunicou ao presidente do partido, Gilberto Kassab.
Na quarta-feira (2), o tom de Leite mudou. Em publicação nas redes sociais, ele cumprimentou Caiado, destacando convergências e respeito pela trajetória do colega. "Temos diferenças de visão e estilo, que trato com franqueza. Mas temos também muitas convergências. Além disso, tenho muito respeito por sua trajetória na vida pública. A democracia exige diálogo e capacidade de reunir pessoas diferentes em torno de consensos mínimos", escreveu.
Aliados interpretam a ligação como uma estratégia para evitar a divisão interna no PSD. Leite, que chegou a ser sondado por PSDB e Cidadania, nega a possibilidade de deixar o partido.
Caiado, por sua vez, demonstrava receio quanto ao engajamento de Leite na pré-campanha. A tendência atual é que Caiado permaneça no PSD e cumpra seu mandato em Goiás até o fim, o que o manteria fora da disputa presidencial de 2026, mas preservaria seu espaço político.
No Rio Grande do Sul, o governador trabalha para viabilizar a candidatura de seu vice, Gabriel Souza (MDB), à sucessão, mas enfrenta desafios com a fragmentação da base política. A reorganização da direita no estado, com o apoio do Republicanos a Luciano Zucco (PL-RS) e a negociação de aliança entre Progressistas e PL, tende a isolar a candidatura governista.