Uma comissão do Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, liderada por republicanos alinhados a Donald Trump, publicou um relatório criticando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento acusa o magistrado brasileiro de promover uma "campanha de censura" que, segundo o comitê, "atinge o cerne da democracia brasileira e ameaça a liberdade de expressão" americana.
O relatório, divulgado nesta quarta-feira (02/04/2026), afirma que Moraes e outros membros do Judiciário brasileiro buscam "impor um regime global de censura" ao ordenar a remoção de conteúdos online mundialmente. As decisões do ministro, avaliadas como censura pelos parlamentares americanos, têm mirado discursos feitos nos EUA, inclusive de jornalistas e comentaristas brasileiros residentes no país.
A comissão também aborda o cenário eleitoral brasileiro, mencionando a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento sugere que as ordens de Moraes contra a família Bolsonaro e seus apoiadores, caracterizadas como "lawfare", podem "prejudicar significativamente" a capacidade de se expressarem online sobre temas de interesse público antes da eleição presidencial.
O comitê é presidido pelo deputado Jim Jordan, um forte apoiador de Trump. Ele esteve reunido com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em 8 de janeiro deste ano.
O GLOBO buscou contato com o STF para obter um retorno sobre o relatório, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.