A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) denunciou nesta segunda-feira (31) que sua nomeação para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher foi alvo de ataques e discursos de ódio. Segundo Hilton, a polêmica buscou desviar o foco das discussões importantes sobre as pautas femininas, como o aumento dos casos de feminicídio.
As críticas ganharam destaque após declarações do apresentador Ratinho, do SBT, que questionou a legitimidade da deputada para o cargo. Ratinho afirmou que a posição foi "injusta" e que o cargo deveria ser ocupado por "uma mulher", referindo-se à deputada como "o deputado ou a deputada, não sei".
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Erika Hilton declarou que tentaram "transformar em uma distração o que de fato era importante". Ela ressaltou que o debate sobre suas políticas públicas para as mulheres foi "completamente contaminado por um discurso odioso", possivelmente motivado por ela ser uma mulher trans.
A empresária Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos, minimizou as críticas de Ratinho, afirmando em entrevista ao portal Metrópoles que o apresentador "não ofendeu a dignidade e nem a moral" de Hilton. Segundo Abravanel, figuras públicas devem estar abertas a críticas.
Erika Hilton protocolou uma ação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Ratinho, acusando-o de declarações transfóbicas. A ação pede a investigação por crimes de transfobia, violência política de gênero e injúria transfóbica.
O apresentador Ratinho, por sua vez, defendeu suas declarações, afirmando que "não vai mudar o seu jeito de ser" e que as críticas a suas falas são alvo de "lacração".
Desde a eleição de Hilton, que ocorreu com votos em branco de parlamentares da oposição, contestações têm sido intensificadas, incluindo a apresentação de um recurso para anular a eleição e uma representação no Conselho de Ética da Câmara.