A capacidade mental de Mike Jeffries, ex-CEO da Abercrombie & Fitch, está sob escrutínio na Justiça dos Estados Unidos. Uma avaliação, prevista para maio, definirá se o executivo de 81 anos responderá em julgamento por acusações de tráfico sexual e participação em um esquema de prostituição. A decisão impactará o avanço do processo, que pode levar Jeffries à prisão perpétua.
Mais de 40 homens acusam o ex-executivo de crimes que remontam a 1992. Jeffries, que se declarou inocente, responde ao lado de seu parceiro, Matthew Smith, e do intermediário James Jacobson. A corte precisa determinar se Jeffries compreende as acusações e pode colaborar com sua defesa.
Gravações telefônicas, totalizando 22 horas e 109 ligações, são peça central no caso. Em trechos divulgados, Jeffries expressa preocupação em ser considerado apto para o julgamento, sugerindo que estaria "ferrado" e em "grandes problemas". A promotoria interpreta as falas como uma estratégia para evitar o processo, enquanto a defesa alega demência, incluindo Alzheimer de início tardio.
Jeffries passou por avaliações em uma unidade de saúde mental de uma prisão federal. Em maio, foi considerado incapaz, mas em dezembro, especialistas da mesma instituição o consideraram apto. Laudos médicos divergem: peritos da defesa apontam declínio cognitivo e episódios psicóticos desde 2013, enquanto especialistas da prisão contestam o diagnóstico de Alzheimer, afirmando que sua capacidade cognitiva é superior à de 95% dos pacientes avaliados.
A promotoria argumenta que a habilidade de Jeffries em discutir estratégias de defesa e comentar o caso, como ao afirmar que "essas pessoas eram adultas, não houve força envolvida", indica preservação cognitiva. Apesar das divergências, especialistas concordam que não há evidência de simulação de sintomas.
A decisão final sobre a capacidade de Jeffries será da juíza Nusrat J. Choudhury. Caso considerado apto, a seleção do júri está marcada para 26 de outubro. O processo continuará contra os outros réus, mesmo que Jeffries seja considerado incapaz.
A Justiça determinou que a Abercrombie & Fitch custeie a defesa de Jeffries, conforme acordo firmado após sua saída da empresa em 2014. O ex-CEO deixou a companhia em 2014, recebendo US$ 25 milhões. As acusações incluem agressões sexuais e uso de drogas em troca de oportunidades como modelo ou durante o período de trabalho na marca.
Jeffries, Smith e Jacobson foram detidos em outubro de 2024 e liberados sob fiança. O ex-CEO está em prisão domiciliar. As denúncias mais recentes datam de 1992. O grupo é suspeito de operar uma rede de tráfico sexual entre 2008 e 2015, recrutando jovens modelos, atraindo-os para festas, fornecendo drogas e forçando relações sexuais. As vítimas incluem ex-modelos e funcionários da Abercrombie.
O caso ganhou notoriedade após uma investigação da BBC em 2023, "The Abercrombie Guys: The Dark Side of Cool". A Abercrombie & Fitch declarou "tolerância zero para abuso, assédio ou discriminação" e está sendo processada por negligência.
Fonte: G1