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domingo, 25 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Guerra no Irã revela fragilidade energética do Brasil, alerta ex-presidente da Petrobras

Conflito no Irã e interrupção de projetos de refino deixam o Brasil vulnerável a choques de preço, alerta ex-presidente da Petrobras. Falta de capacidade de refino e atuação especulativa de importadores agravam o cenário.

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Guerra no Irã revela fragilidade energética do Brasil, alerta ex-presidente da Petrobras

A instabilidade gerada pelo conflito no Irã e o consequente aumento nos preços do petróleo evidenciam a vulnerabilidade energética do Brasil. A interrupção de projetos de ampliação do refino no país, somada à Operação Lava Jato e à influência de multinacionais, agrava o cenário, segundo José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras. Em lançamento de seu livro "Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro", Gabrielli analisou os impactos da guerra no comércio global de petróleo e gás.

Gabrielli aponta que os EUA buscam interferir no mercado internacional de petróleo, com intervenções na Venezuela e no Irã. A guerra, segundo ele, alterará a geografia do comércio de petróleo, com maior participação de Brasil, Canadá e Guiana no fornecimento para China e Índia. No entanto, a falta de capacidade de refino no Brasil, especialmente para o diesel, deixa o país exposto às flutuações globais.

O ex-presidente da Petrobras ressaltou que o Brasil não possui capacidade de refino suficiente para atender à demanda interna de diesel, gasolina e gás de cozinha, com dependência de 20% a 30% de diesel importado. Ele criticou a paralisação de planos para novas refinarias desde a Operação Lava Jato, lembrando a oposição histórica de empresas estrangeiras à expansão do refino nacional.

Gabrielli também comentou o papel das importadoras de combustíveis, autorizadas em grande número a partir do governo Temer. Ele observou que, com a redução da carga de refino da Petrobras nos governos Temer e Bolsonaro, abriu-se espaço para importadores que atuam de forma especulativa, importando apenas quando os preços internacionais são inferiores aos nacionais.

Sobre a transição energética, Gabrielli afirmou que a dependência de combustíveis fósseis é inevitável no momento atual, e que pensar em fechar refinarias e produção de petróleo imediatamente seria uma "loucura". Ele prevê, contudo, que o choque atual impulsionará a transição energética a médio e longo prazo, com o hidrogênio verde ganhando espaço no mercado a partir de 2035, desde que haja políticas de demanda e que sua produção esteja próxima ao consumo para viabilizar a descarbonização da indústria e do transporte.

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