O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou neste sábado (29) que governos e instituições internacionais acompanhem o processo eleitoral brasileiro e exerçam pressão diplomática para garantir eleições livres e justas. O discurso ocorreu durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, Estados Unidos.
"Meu apelo aqui, não só aos Estados Unidos, mas a todo o mundo livre, é este: observem as eleições do Brasil com enorme atenção, entendam o nosso processo, monitorem a liberdade de expressão do nosso povo e apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente", declarou o senador.
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfatizou que busca um acompanhamento externo para assegurar a preservação da "vontade do povo", não uma interferência. Ele condicionou o resultado eleitoral à liberdade nas redes sociais e à correta contagem dos votos.
Durante o evento, o senador criticou o sistema político e judicial brasileiro, alegando que seu pai foi condenado por razões políticas. Ele afirmou que Jair Bolsonaro é o maior líder político do Brasil e está preso "por defender nossos valores conservadores", omitindo que a condenação de 27 anos e 3 meses pelo STF foi por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à tentativa de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador também associou o governo Lula ao crime organizado e criticou a política de segurança do país. Na esfera econômica e geopolítica, destacou o papel estratégico do Brasil no fornecimento de minerais críticos, podendo reduzir a dependência dos EUA em relação à China.
Flávio Bolsonaro criticou a política externa de Lula, classificando-a como contrária aos interesses americanos e citou a aproximação do Brasil com China, Irã e Cuba, além de associar o presidente brasileiro a Nicolás Maduro, da Venezuela.
O senador mencionou o cancelamento do visto do assessor do Departamento de Estado, Darin Beattie, após este pedir para visitar Jair Bolsonaro em Brasília, descrevendo a ação como inédita e um indicativo de tensões diplomáticas crescentes. "O Brasil agora está expulsando diplomatas americanos", afirmou.
Ao finalizar, reiterou o pedido por atenção internacional às eleições brasileiras e alertou para uma escolha de alinhamento externo do país. A participação na CPAC, um importante fórum conservador, faz parte da agenda internacional de Flávio Bolsonaro como pré-candidato.
Fonte: O Globo