O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enfrenta críticas de parte de sua base após votar a favor de um projeto que equipara misoginia a racismo. A proposta, aprovada por unanimidade no Senado, agora segue para a Câmara, onde aliados de Flávio buscam sua rejeição.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) expressou desapontamento com o apoio de senadores de direita à iniciativa em um vídeo nas redes sociais. "Estou extremamente decepcionado com o nosso Senado", disse Ferreira, alegando que muitos parlamentares "estão em um berço infantil da guerra cultural" e não batalharam contra o projeto.
Deputados bolsonaristas argumentam que o projeto pode se tornar um instrumento de censura. O influenciador Paulo Figueiredo, próximo de Eduardo Bolsonaro, cobrou explicações de Flávio Bolsonaro. "Ao eleitor, cabe cobrá-lo", afirmou.
A deputada Julia Zanatta (PL-SC), também crítica ao projeto, ponderou que Flávio Bolsonaro atuou para evitar a tramitação acelerada da proposta no Congresso. "Ele ainda assinou o recurso que levou o projeto ao plenário", declarou Zanatta.
O projeto, além de equiparar misoginia a racismo, aumenta a pena para ofensas contra mulheres. A injúria por misoginia passará a ter pena de reclusão de dois a cinco anos, com multa. Atualmente, a pena é de até um ano de detenção, podendo dobrar em casos de violência doméstica.
A data de análise do projeto na Câmara ainda não está definida.