O ex-presidente Jair Bolsonaro apresenta melhora significativa e deve receber alta hospitalar na sexta-feira (28/03/2026), segundo informou seu médico, Brasil Ramos Caiado. Bolsonaro está em tratamento de antibióticos para conter uma pneumonia e deve concluir a medicação na quinta-feira. Um raio-X realizado na noite anterior mostrou um quadro que deixou a equipe médica tranquila, apesar de uma lesão residual no pulmão esquerdo, que era esperada.
A notícia surge após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expedir na véspera (24/03/2026) um alvará de soltura para a prisão domiciliar de 90 dias. O pedido, reiterado pelos advogados após a internação de Bolsonaro, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Moraes autorizou a prisão domiciliar humanitária temporária com o objetivo de garantir a recuperação completa do quadro de broncopneumonia. A situação será reavaliada ao fim do período, com possibilidade de nova perícia médica.
A prisão domiciliar será cumprida na residência do ex-presidente, com imposição de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Moraes justificou a decisão pela idade, histórico médico e estado de saúde de Bolsonaro, considerando o ambiente domiciliar mais adequado para sua recuperação. O boletim médico confirmou broncopneumonia aspirativa, com quadro geral estável, mas necessitando de tratamento e monitoramento por até duas semanas.
A defesa de Bolsonaro considerou a concessão da prisão domiciliar como um restabelecimento da "coerência jurisprudencial" do STF. O advogado Paulo Amador da Cunha Bueno classificou como "inovador" o prazo de 90 dias fixado por Moraes, ressaltando que as necessidades de cuidados especiais do ex-presidente são permanentes.
O ministro proibiu o uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, e restringiu visitas. A Polícia Militar do Distrito Federal será responsável pela fiscalização do cumprimento da prisão domiciliar, com vistorias e monitoramento presencial. Visitas de filhos, da esposa Michelle Bolsonaro, da filha Laura e da enteada Letícia Firmo foram autorizadas em dias e horários específicos, assim como o livre acesso para os residentes. Advogados e equipe médica terão acesso mediante agendamento ou para atendimento.
Bolsonaro foi preso em novembro do ano anterior pela tentativa de romper a tornozeleira eletrônica. Em 15 de janeiro, foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. Pedidos anteriores de prisão domiciliar, baseados em alegações de saúde frágil, foram negados por Moraes, que apontou que o ex-presidente recebia tratamento adequado. Uma perícia da Polícia Federal em fevereiro concluiu que Bolsonaro não necessitava de cuidados hospitalares.