A eleição da deputada Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher intensificou um embate político com potencial de impacto eleitoral. Parlamentares de esquerda veem na controvérsia uma exploração da oposição em ano eleitoral, visando o eleitorado feminino.
Integrantes do governo adotam cautela para não acirrar o conflito. Hilton, a primeira mulher trans a presidir o colegiado, enfrentou contestações de parlamentares da oposição, que questionam seu gênero e legitimidade para o cargo. Aliados rebatem as críticas como discriminatórias.
A disputa ocorre em um momento de oscilação na aprovação do governo entre mulheres. Desde a posse de Hilton, marcada por votos em protesto, deputadas da oposição intensificaram contestações, anunciando recursos e representações no Conselho de Ética.
Em protesto, parlamentares exibiram camisetas com frases críticas à deputada, em resposta a declarações de Hilton nas redes sociais após assumir o cargo, onde ela mencionou não se importar com opiniões de "transfóbicos e imbecis". Hilton esclareceu que a fala se referia a ataques na internet.
O líder da oposição, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), propôs um projeto para restringir a presidência da comissão a deputadas cisgênero.
A primeira sessão sob Hilton foi marcada por impasses e atrasos. Requerimentos da oposição foram negados por não atenderem a critérios regimentais, gerando acusações de cerceamento de prerrogativas. Deputadas da oposição criticaram a decisão como política e ideológica.
Parlamentares aliadas a Hilton reagiram, apontando obstrução dos trabalhos. O impasse atrasou a votação de projetos em mais de uma hora.
Hilton suspendeu os trabalhos e retirou os requerimentos em discussão para permitir o andamento da pauta, enfatizando a necessidade de a comissão avançar em temas importantes. A medida permitiu o início da análise de projetos, mas não encerrou as divergências.
Deputadas da base classificaram falas da oposição como "transfóbicas", enquanto a oposição se sentiu rotulada por divergências políticas. Parlamentares da oposição anunciaram novas medidas contra a permanência de Hilton no cargo, indicando que o episódio continuará sendo explorado politicamente.
O Globo