O ministro das Micro e Pequenas Empresas, Márcio França (PSB), buscará nesta semana uma audiência com o presidente Lula para manifestar seu desejo de concorrer ao governo de São Paulo. A movimentação ocorre após França sentir o enfraquecimento de seu espaço nas articulações para a chapa do PT no estado. Uma candidatura ao Senado também se mostrou inviável devido à filiação de Simone Tebet ao PSB, partido de França, o que levanta dúvidas sobre a alocação de duas vagas de centro-esquerda.
França argumenta que sua candidatura ao governo paulista poderia beneficiar Lula nacionalmente, apesar do risco de conflito com eleitores de Fernando Haddad (PT), pré-candidato anunciado pelo partido. "Eu disse que desde o início o presidente Lula teria que tomar essa decisão. E esta semana, certamente, eu falarei com o presidente. E aí vamos tomar uma decisão. Nós temos várias possibilidades. Por exemplo, eu ser candidato a governador mesmo", declarou França ao jornal O Globo.
Sobre a potencial disputa de votos com Haddad, o ministro reconhece a possibilidade, mas acredita que sua participação fortalecerá a ala de centro-esquerda no debate eleitoral. Ele também ponderou sobre as regras de formação de debates, que exigem um mínimo de dois candidatos com mais de 5% dos votos para sua realização.
Considerando a vice-presidência na chapa de Haddad, França expressou preferência por uma mulher, possivelmente de fora do meio político tradicional, para compor a chapa petista. Ele citou o equilíbrio de gênero como um contraponto à chapa de Tarcísio de Freitas, composta majoritariamente por homens.
A respeito de Geraldo Alckmin, França reiterou que o vice-presidente tem como única aspiração a vice-presidência na chapa de Lula. "A mim ele disse que, em não sendo vice, estará em Pinda [Pindamonhangaba, sua cidade natal] capinando e vai torcer e vai ajudar naquilo que for possível, mas não tem pretensões a outra candidatura", afirmou.
O ministro destacou o conhecimento de Alckmin sobre o estado de São Paulo e seu potencial para auxiliar Haddad a reduzir a rejeição do PT no interior paulista, caso a aliança se confirme. Contudo, França acredita que, se ele próprio for candidato, contará com o apoio de Alckmin.