O pré-candidato ao governo do Rio, Eduardo Paes, detonou a organização de uma "cerimônia de encerramento de mandato" pelo atual governador, Cláudio Castro, no Palácio Guanabara. Castro renunciará ao cargo nesta segunda-feira (23), um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode torná-lo inelegível por oito anos.
Em suas redes sociais, Paes classificou a atitude de Castro como "fugindo da justiça" e "desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu". O ex-prefeito do Rio também acusou Castro de "destruir com seu grupo o Rio de Janeiro" e de "querer fazer o sucessor para continuar aprontando". Paes disse ter certeza de que o TSE não admitirá "esse tipo de chicana", que, segundo a inteligência artificial, significa "usar artifícios formais ou recursos excessivos para atrasar um processo".
Castro é acusado de abuso de poder político, econômico e conduta proibida a agentes públicos em sua campanha de reeleição em 2024. O Ministério Público Eleitoral alega que Castro e o vice, Thiago Pampolha, contrataram milhares de pessoas pela Fundação Ceperj.
Com a renúncia de Castro, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, assume interinamente. Ele deverá convocar uma eleição indireta para que os deputados da Alerj escolham um substituto até janeiro de 2027.
A renúncia ocorre após Castro exonerar 11 secretários do estado para que possam concorrer nas eleições de 2026. As mudanças, publicadas no Diário Oficial, visam a participação dos ex-secretários em pleitos como o de governador e senador. Castro afirmou que as mudanças "fazem parte do calendário eleitoral e são naturais neste momento". A assessoria do governador não se pronunciou sobre a renúncia até o momento.
As exonerações ocorrem em meio à expectativa de que Castro renunciasse ao cargo para evitar a inelegibilidade e viabilizar uma candidatura ao Senado. A manobra, se confirmada, tiraria o objeto da ação contra ele no TSE, já que ele estaria fora da função pública.
Entre as mudanças, assumiram como novos secretários Felipe Curi (Polícia Civil), Raul Fanzeres (Infraestrutura e Obras), Douglas Ruas (Cidades), Diego Faro (Ambiente), Anderson de Azevedo Coelho (Desenvolvimento Social e Direitos Humanos), Daniel Martins (Trabalho e Renda), Lucas Alves (Turismo), Isabela Alves (Juventude e Envelhecimento Saudável), Renata Sphaier de Freitas (Ciência, Tecnologia e Inovação), Fábio Paravidino (Habitação) e Carla Nasser Monnerat (Desenvolvimento Econômico).
Fonte: O Globo