O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), referendou nesta sexta-feira (21) as prisões de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel no caso do banco Master. No entanto, em voto que acompanhou a decisão do colega André Mendonça, Gilmar aproveitou para fazer críticas à fundamentação das prisões e à atuação da Polícia Federal (PF).
Gilmar divergiu de Mendonça ao questionar o uso de argumentos como 'pacificação social' e 'resposta célere do sistema de Justiça' para justificar prisões preventivas. Para ele, decisões judiciais devem se basear em elementos concretos, e não em pressões sociais. O ministro também ressaltou a importância da atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), criticando o prazo curto dado para análise do caso.
A PF também foi alvo de críticas. Gilmar apontou a necessidade de individualização dos fatos que levam à decretação de medidas cautelares, como a prisão de Vorcaro, evitando generalizações. O ministro citou vazamentos de dados como um problema grave, com potencial para expor investigados e terceiros sem interesse público, e fez um alerta sobre a influência midiática em processos penais, comparando a situação com práticas da Lava Jato.
Em um gesto à defesa, Gilmar indicou que a prisão preventiva de Fabiano Zettel deve ser reavaliada, considerando sua situação familiar com filho menor e a iminência de novos nascimentos. Por fim, o ministro questionou a transferência de Daniel Vorcaro para um presídio federal de segurança máxima, alegando falta de fundamentação concreta.