A adoção de regras mais rigorosas para limitar os supersalários no serviço público brasileiro poderia gerar uma economia de R$ 186,4 bilhões em dez anos. A estimativa é de um estudo da República.org, que comparou a remuneração de servidores no Brasil com a de outros dez países. As carreiras jurídicas, especialmente magistrados e membros do serviço público, apresentam rendimentos que frequentemente ultrapassam o teto constitucional de R$ 46,3 mil mensais, impulsionados por verbas indenizatórias e adicionais não computados no limite.
O levantamento aponta que, em 2025, 86,3% dos magistrados e pensionistas receberam acima do teto, totalizando R$ 12,6 bilhões pagos indevidamente. A remuneração média anual de um magistrado foi de R$ 1,085 milhão, quase o dobro do limite legal. Ao considerar diversas carreiras jurídicas, pelo menos 67 mil servidores teriam recebido acima do teto em 2025, com um gasto mínimo de R$ 24,3 bilhões além do limite constitucional.
A comparação internacional revela que o Brasil está fora do padrão. Os salários de faixas intermediárias da magistratura brasileira superam os salários máximos de diversos países analisados. Cerca de 7.400 juízes brasileiros, 25% mais bem pagos, recebem mais do que todos os 53 mil juízes dos dez países estudados, incluindo suas autoridades máximas.
O estudo critica a falta de mecanismos de controle mais rígidos no Brasil, como tetos efetivos e instâncias independentes de revisão, diferentemente de países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Chile. A economia de R$ 186,4 bilhões considera a adoção de parâmetros internacionais para limitação remuneratória, reorganização de carreiras e revisão de benefícios. Em 20 anos, a economia poderia chegar a R$ 578 bilhões.
O problema dos supersalários não se restringe à esfera federal, repetindo-se em estados e capitais. Além disso, a transparência na divulgação de remunerações públicas ainda é precária em parte do país. Um levantamento da Transparência Brasil apontou que 14 de 53 entes analisados receberam nota zero no índice de transparência, com falhas graves no acesso e detalhamento dos dados, dificultando o controle social e a fiscalização de pagamentos acima do teto.