O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta sexta-feira (20) a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão unânime da Segunda Turma, com placar de 4 a 0, manteve a ordem de detenção após a Polícia Federal (PF) apresentar indícios de que Vorcaro utilizava um "braço armado" para intimidar adversários. Os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e Gilmar Mendes seguiram o voto do relator, André Mendonça. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito e não participou do julgamento.
A PF aponta que Vorcaro liderava uma organização criminosa com estrutura de vigilância e coerção privada, conhecida como "A Turma". Segundo a investigação, o grupo era responsável pela obtenção ilegal de informações sigilosas e pela intimidação de críticos do Banco Master. Mensagens interceptadas pela polícia indicam que Vorcaro dava ordens para agredir pessoas consideradas desafetos.
Um dos integrantes mencionados é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de "Sicário", que teria recebido cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços. A investigação também aponta o uso de credenciais funcionais de servidores públicos para acessar sistemas restritos de órgãos como a PF e o Ministério Público Federal (MPF), além de entidades internacionais como o FBI e a Interpol.
O ministro André Mendonça destacou em seu voto que a organização ainda representa uma ameaça, pois conta com integrantes foragidos. Ele rebateu os argumentos da defesa, afirmando que não há indícios de que as atividades ilícitas tenham cessado e que a manutenção da prisão é necessária para garantir a continuidade das investigações e a ordem pública.
A defesa de Vorcaro nega as acusações e afirma que o banqueiro colaborou com as apurações. A possibilidade de uma delação premiada também foi negada pelos advogados.