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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA | PETRÓLEO

Royalties do petróleo não garantem qualidade de vida em 12 cidades

Estudo da Agenda Pública revela que 12 das 50 cidades brasileiras com maior arrecadação de royalties do petróleo apresentam indicadores sociais abaixo da média nacional. Pesquisa aponta que o planejamento e a gestão dos recursos são cruciais para o desenvolvimento.

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Royalties do petróleo não garantem qualidade de vida em 12 cidades

Doze das 50 cidades brasileiras que mais recebem royalties do petróleo registram um Índice de Condições de Vida (ICV) inferior à média nacional. O estudo da Agenda Pública, divulgado nesta terça-feira (26), revela que esses municípios apresentam indicadores sociais abaixo de 0,485, que é o patamar médio brasileiro em uma escala de zero a um.

A pesquisa cruzou dados de arrecadação de royalties em 2024 com oito áreas de avaliação socioeconômica: saúde, educação, infraestrutura, gestão, desenvolvimento econômico, finanças públicas, proteção social e meio ambiente.

Apesar de não figurarem entre as 15 maiores arrecadadoras, cidades como Linhares (ES), Araucária (PR) e Resende (RJ) lideram o ranking de qualidade de vida, com ICVs de 0,643, 0,638 e 0,625, respectivamente.

Os municípios que recebem royalties são definidos por critérios geográficos, como a proximidade de reservatórios, oleodutos, refinarias ou terminais. Esses recursos são vistos como uma forma de preparo financeiro para a eventual escassez da atividade petrolífera.

O Rio de Janeiro lidera o número de cidades contempladas, com 37 municípios, seguido por São Paulo (6) e Espírito Santo (4). Apenas três das 50 campeãs em royalties não estão na região Sudeste: Pilar (AL), Araucária (PR) e Coari (AM).

Entre os 15 maiores recebedores de royalties, apenas sete estão entre os 15 municípios com o maior ICV: Ilhabela (SP), Macaé (RJ), Niterói (RJ), Maricá (RJ), Rio de Janeiro (RJ), São Sebastião (SP) e Angra dos Reis (RJ). Saquarema (RJ), a segunda maior arrecadadora, figura apenas em 16º lugar em qualidade de vida.

O estudo aponta que 16 dos maiores recebedores de royalties são classificados como de 'muito baixa condição de vida' (ICV até 0,499). Nenhuma das cidades campeãs em receita de royalties atinge o patamar de 'alta condição de vida' (acima de 0,700).

Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, destaca que o volume de recursos não é o único fator para o desenvolvimento. "O desafio é institucional: planejar o uso dos royalties como instrumento de desenvolvimento de longo prazo", afirma. A entidade recomenda investimentos em educação, capacitação profissional e diversificação econômica para mitigar a dependência exclusiva dos royalties e promover melhorias sustentáveis nas condições de vida.

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