O Tesouro Nacional realizou a maior intervenção em títulos públicos da história recente, injetando R$ 43,6 bilhões em dois dias para conter a alta dos juros. A ação visa estabilizar o mercado financeiro diante de incertezas globais e domésticas, como o conflito no Oriente Médio e a possibilidade de nova greve de caminhoneiros.
A operação, que superou o volume de R$ 35,56 bilhões durante a pandemia de COVID-19, envolveu a recompra de títulos prefixados e atrelados à inflação. O Tesouro agiu de forma mais agressiva desta vez, antecipando-se a possíveis disfunções no mercado, em contraste com intervenções anteriores.
A alta dos juros futuros, que serve de referência para a Taxa Selic, foi impulsionada pelo aumento do risco inflacionário e pelas incertezas internas. O mercado segue atento à decisão de política monetária do Copom nesta semana.
Apesar da intervenção, o mercado ainda sente a pressão do risco doméstico. A possibilidade de paralisação de caminhoneiros eleva a percepção de risco, remetendo aos impactos econômicos de 2018, como alta da inflação e pressão fiscal.