O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de prisão preventiva da Polícia Federal (PF) contra a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), investigada na Operação Sem Desconto. Em vez da prisão, Mendonça determinou o uso de tornozeleira eletrônica pela parlamentar, além de outras medidas cautelares, como a proibição de comunicação com outros investigados e de sair do país.
A deputada é suspeita de receber vultosas quantias desviadas de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio de associações fraudulentas. Mendonça citou que a PF encontrou indícios de que a parlamentar praticou crimes contra aposentados e pensionistas, mas ressaltou a necessidade de respeitar a imunidade parlamentar.
Apesar de poupar a deputada da prisão, Mendonça decretou a preventiva de Cecília Rodrigues Mota, considerada peça central na operacionalização das fraudes, e de Natjo de Lima Pinheiro, apontado como um dos líderes financeiros do esquema. Um comprovante de pagamento de propina no valor de R$ 780.433,50 para a deputada Maria Gorete Pereira foi anexado à decisão.
A Operação Sem Desconto investiga o desvio de mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024, através de autorizações forjadas para descontos. Documentos indicam que a deputada mantinha contato com servidores do INSS, incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanutto, que teria recebido até R$ 4 milhões.